segunda-feira

Augusto dos Anjos: A esperança

 A esperança

A Esperança não murcha, ela não cansa, 
Também como ela não sucumbe a Crença. 

Vão-se sonhos nas asas da Descrença, 
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa; 
No entanto o mundo é uma ilusão completa, 
E não é a Esperança por sentença 
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito, 
Sirva-te a crença de fanal bendito, 
Salve-te a glória no futuro – avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento, 
Também espero o fim do meu tormento, 
Na voz da morte a me bradar: descansa!"



domingo

Augusto dos Anjos: O poeta do hediondo

O poeta do hediondo

Sofro aceleradíssimas pancadas
No coração. Ataca-me a existência
A mortificadora coalescência
Das desgraças humanas congregadas!

Em alucinatórias cavalgadas,
Eu sinto, então, sondando-me a consciência
A ultra-inquisitorial clarividência
De todas as neuronas acordadas!

Quanto me dói no cérebro esta sonda!
Ah! Certamente eu sou a mais hedionda
Generalização do Desconforto...

Eu sou aquele que ficou sozinho
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto!


Augusto dos Anjos: A esperança

  A esperança A Esperança não murcha, ela não cansa,  Também como ela não sucumbe a Crença.  Vão-se sonhos nas asas da Descrença,  Voltam so...